Olá! Faz tempo que não apareço. Estou passando por um turbulento período pré-vestibular, mas não pude deixar de postar hoje.
Há meses venho cultivando uma ira mortal contra as construtoras em Belém. Dependente do transporte público, passei a caminhar mais pela cidade e descobri que isso não é uma tarefa fácil. Quem não tem carro sabe: caminhar pelas calçadas de Belém é uma aventura perigosa, que pode custar-lhe a vida ou um ligamento, como é o meu caso.

Placon Engenharia proíbe você de passar
Os desníveis na calçada são mais famosos. Uma acirrada disputa acontece em silêncio entre os moradores da capital paraense. Quem constroi uma casa ou muda-se reconstroi a calçada em frente a sua casa, o mais alto que seu salário permitir. O reflexo está nas ruas. A sensação é de estar ora subindo ora descendo uma interminável escada. Todos os pedestres são prejudicados, sem falar de idosos e deficientes físicos.
Há três anos, caminhava para casa e sofri um pequeno acidente por causa desses degraus nas calçadas. Pisei em “falso” e acabei rompendo um ligamento e sofro com isso até hoje. Salto alto? Só em ocasiões ultra-especiais.
Anda-se em “zigue-zague” na Boaventura da Silva.
O que me deixa mais indignada, no entanto, são as malditas construtoras. Leal Moreira, Ckom, Status/InPar, Plancon são as que eu me lembro agora. Malditas, que erguem gigantes monstros luxuosos para a classe média refugiar-se. Constroem sem respeitar vizinhos, pedestres, o Meio Ambiente, a mãe, o pai. O ruído dos tratores, martelos, serras, brocas é infernal. Não têm limites. Começam 7h da manhã e não param nem na hora do almoço.

Pedestre é obrigada a caminhar entre carros na Mundurucus
Entulham a calçada com areia, tijolos, seixo e outros materiais da construção. Como se não bastasse, caminhões de cimento e de transporte de materiais estacionam em fila dupla ao longo de, pelo menos, metade quarteirão. A rua fica completamente congestionada, com uma só pista livre para o fluxo. E o mais grave e importante, o pedestre não tem por onde passar. Tem três opções não muito agradáveis.
1) Passar por cima do amontoado de areia;
2) Arriscar passar entre o caminhão e o intenso fluxo de carros e
3) Atravessar a rua no meio do quarteirão.

Otis e Eliane, desrespeitando o cidadão na Boaventura
A foto acima foi tirada por mim ainda a pouco, por volta de 14h10. Na Boaventura da Silva, bairro Umarizal, anda-se em zigue-zague. Saindo do perímetro entre 14 de março e alcindo cacela, existem nada menos 5 construções entulhando lixo, materiais e caminhões na calçada e no meio da rua. Para continuar o percurso, precisei atravessar 3 vezes na metade do quarteirão.
Caminhar pelas calçadas de Belém é uma aventura perigosa

Tentei bater um foto da lady no carro, mas não consegui
Fiquei realizada ao ver o engenheiro responsável pela obra que está acontecendo no antigo Twist Burger. Perguntei a ele: “Como o sr. espera que eu passe em segurança, já que a calçada está ocupada pelo seu entulho?”.
O engenheiro, que aparentava 45 anos, estava bem vestido e me não me respondeu de acordo com sua vestimenta. Disse-me que poderia passar ao lado dos carros. Respondi que era perigoso, e ele retrucou, já impaciente, que eu deveria escolher se morreria com um tijolo na cabeça ou atropelada. Retornei a pergunta a ele. Sem reação nem argumentos começou a me insultar, contando com a ajuda de uma bela senhora, também muito bem vestida, dentro de um luxuoso carro. Perguntaram se eu era estudante de Direito e disseram que eu estava muito “revoltada”. Adorei!
O engenheiro e a lady falavam argumentos que iam de “mal amada” a “gorda e baleia”. Ótima posição. Dá até gosto de dialogar assim. Esses são os profissionais paraenses, a classe média que frequenta a Assembleia Paraense e que compra no Shopping Boulevard.
Isso é Belém, Pará, Brasil.
Quem tiver casos parecidos com o meu, não heiste em contar.